Como ser um bom aliado de pessoas com deficiência

Por S Marathe (o nome completo foi omitido a pedido da autora)

Como jovem rotariana que vive com uma deficiência visual, entendo bem a importância de ter aliados. Um aliado é qualquer pessoa que procure ativamente ser inclusivo, promovendo uma cultura respeitosa e acolhedora por meio de pensamentos, ações e palavras intencionais.

Muitas organizações estão adotando uma série de estratégias para lidar com a baixa representação de funcionários de grupos minoritários, seja em termos de gênero, cultura ou deficiência. Mas, muitas vezes, são as ações do dia-a-dia que fazem a maior diferença. Seguem algumas características para alguém se tornar um excelente aliado de pessoas com deficiências.

Entenda que todos nós somos singulares.

Um aliado é profundamente empático e entende que minha experiência de vida é singular e exclusiva para mim. Não há duas pessoas deficientes que sejam iguais, mesmo que tenham a mesma deficiência. Suas experiências de vida, preferências e opiniões são únicas. Portanto, não adote uma abordagem generalizada, presumindo saber o tipo de apoio de que elas precisam sem antes perguntar. Embora você possa pensar que está fazendo a coisa certa, o apoio necessário pode ser bem diferente daquilo que você está oferecendo.

Sou legalmente cega, pois não tenho visão central; entretanto, minha visão periférica é incrível! Eu não uso bengala e me sinto confortável com minha mobilidade e navegação, o que muitas vezes surpreende as pessoas que têm uma imagem estereotipada de uma pessoa cega – alguém que usa bengala ou tem cão-guia.

Mostre curiosidade genuína com um desejo de aprender e entender

Os aliados não têm medo de perguntar sobre o que não sabem para se educar e colocar em prática o que aprendem. Eles assumem a responsabilidade pelo seu comportamento e, se não acertarem na primeira vez, tentam sinceramente novamente.

Quebrar estigmas e estereótipos só é possível se você tiver uma conversa aberta, estiver exposto a uma diversidade de pessoas e tiver a mente aberta para ver as coisas de diferentes perspectivas. Descobri que esclarecer o que eu posso e não posso fazer ajuda a remover barreiras e a gerar confiança.

Ao me verem com o celular bem próximo do rosto, muitas pessoas iniciam uma conversa com “parece que alguém precisa de óculos” ou “sua mãe não lhe disse para não ficar tão próxima da tela?”. Quando eu explico que não tenho visão central, eles ficam surpresos e envergonhados, e se calam. A resposta que eu adoro ouvir é: “Que interessante, conte mais”. Minha deficiência é uma parte de quem sou e não tenho vergonha disso; ninguém deve se envergonhar por mim.

Uma em cada cinco pessoas vive com alguma deficiência, portanto, é provável que você já conheça alguém. Assim, desafie suas suposições e procure entender as perspectivas da pessoa. Vamos manter um diálogo aberto, abordar questões profundas e mudar as normas sociais para que isso deixe de ser um tabu!

Crie espaço para eu usar minha voz, sentir-me capacitada, agir e definir minha própria identidade

Quando eu era jovem e ainda não aceitava minha realidade, encontrei pessoas que me deram apoio, como meus pais e amigos próximos, mas não queria que eles me defendessem. Queria a ajuda deles em silêncio. Conforme conheci outras pessoas que pensavam como eu e me senti parte de uma comunidade nas conferências, encontrei minha própria voz e defendi a mim mesma na universidade.

Os aliados mais impactantes não foram aqueles que eliminaram os obstáculos para mim, mas sim aqueles que me ensinaram a fazer isso. O papel deles foi me encher de confiança e me ouvir enquanto eu testava ideias e desenvolvia minha voz. Quando algo não acontecia como planejado, eles estavam lá para me ajudar a entender o motivo e propor novas abordagens.

Esta é a minha vida, e eu quero vivê-la! Quero tentar subir uma montanha em uma bicicleta tandem, sentindo cada gota de suor escorrendo pelo meu rosto. Quero viajar sozinha pelo mundo e provar coisas novas. Quero me sentir realizada ao apresentar meu projeto a um grupo de executivos. Quero ter as mesmas oportunidades e experiências – mesmo que eu tenha que realizar as coisas de outras maneiras e alcançar um resultado diferente.

Um aliado é aquele que está ao meu lado, me encorajando a continuar. Acredito que a maioria dos associados do Rotary sejam aliados naturais, pois o comportamento inclusivo está fortemente fundamentado nos nossos Valores e no Código de Conduta. Leia sobre a Força-tarefa de Diversidade, Equidade e Inclusão do Rotary.

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