Rotary: projeto leva primeiro banco de leite à Serra Gaúcha

Por Aurea Santos, especialista em Comunicação do Rotary International

A falta de um banco de leite nos hospitais da região da Serra Gaúcha era um problema que há anos impedia um melhor cuidado com os recém-nascidos daquela área. Sem a possibilidade de pasteurizar e armazenar o leite humano, os bebês que não podiam ser totalmente alimentados pelas mães dependiam de fórmulas artificiais para se nutrir. Foi um projeto do Rotary Club de Caxias do Sul que acabou de mudar essa situação.

No último dia 10 de maio, foi inaugurado o Banco de Leite Humano Ama Tacchini, dentro do Hospital Tacchini, na cidade de Bento Gonçalves. “O projeto chama Ama por causa das antigas amas de leite, e ele veio preencher uma lacuna existente na região”, aponta Rudimar Borghetti, um dos associados do Rotary que lideraram o projeto.

Segundo ele, a necessidade de um banco de leite na região chegou ao clube por meio de pais e mães associados do Rotary que passaram por problemas com a amamentação de seus filhos. Depois de estudar o problema e buscar um local para instalar o banco, o Rotary Club de Caxias do Sul e o Rotary Club de Bento Gonçalves encontraram o local ideal na cidade de Bento Gonçalves.

Com investimento de mais de US$ 43 mil, os clubes gaúchos adquiriram todo o mobiliário e equipamentos necessários à montagem do banco de leite humano, como pasteurizador, refrigerador, aparelho para banho-maria, armários, bancadas e equipamento de informática. O financiamento também contou com a parceria do Rotary Club de Pozos del Rey, no Uruguai.

Fernanda Dalla Laste, nutricionista e responsável técnica do banco de leite, conta que os recém-nascidos que precisam da UTI neonatal ficam uma média de 30 dias internados. Antes, esses bebês precisavam ser alimentados com fórmulas infantis, mas, com a implementação do banco, eles passam a ser alimentados com leite humano.

Uma das principais diferenças que o banco acrescenta ao cuidado com esses bebês é o tratamento adequado e o período de armazenamento do leite. Antes, o leite coletado das mães doadoras podia ficar até quinze dias no freezer.

Agora, com o processo de pasteurização viabilizado pelo projeto do Rotary, o leite pode ser armazenado por até seis meses. “Conseguimos oferecer leite para as mães que não estão produzindo tanto”, destaca Fernanda.

Em média, o Hospital Tacchini realiza 150 partos por mês. O local conta com 10 leitos de UTI neonatal, que costumam ter entre 80% e 90% de taxa de ocupação. “Com a ajuda do Rotary, conseguimos um equipamento (de pasteurização) de ponta”, diz a nutricionista. Sem o processo de pasteurização, o leite precisaria ser descartado após 15 dias.

Todo o leite coletado passa por um rigoroso processo antes de ser dado como alimento aos bebês, incluindo teste calórico e testagem para bactérias.

Fernanda destaca diversos benefícios que a alimentação com leite humano traz para a recuperação dos recém-nascidos na UTI. “Melhora o tempo de internação, a qualidade de vida, reduz o risco de infecções. Tendo leite materno, quanto mais prematuro o bebê, mais ele se beneficia”, diz.

Para operar o banco de leite, as nutricionistas do hospital passaram por cursos da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Atualmente, a rede possui 224 bancos de leite humano espalhados por todos os estados do Brasil.

“É um motivo para nos orgulharmos e coloca o Rotary como grande participante de ações comunitárias”, afirma Rudimar.

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