Bolsas Rotary pela Paz: um caminho para mudar o mundo

Por Katia Dantas

Rotary World Peace Fellow, Duke University MIDP (2007-2009)

Eu tive a sorte de nascer em uma família maravilhosa, que me incutiu valores de desapego, compaixão e caridade. Tive ainda mais sorte de contar com excelentes bússolas morais: pessoas maravilhosas, profissionais maravilhosos, que foram colocados cuidadosamente em meu caminho para me inspirar a seguir em frente. Mas nada se compara à fantástica experiência que tive como bolsista do Rotary.

Minha jornada começou em 2005, graças a Jean Roberth Souza, um amigo que me apresentou ao programa Intercâmbio Grupo de Estudos (IGE) do Rotary. Este programa permite a jovens professionais uma imersão cultural e profissional única. Nessa época eu já trabalhava para a USAID, a agência dos EUA para o Desenvolvimento como assistente do Programa de Saúde. Eu acabava de descobrir minha verdadeira vocação depois de anos buscando-a: assistência internacional. Mas eu sentia que precisava de algo mais para poder crescer nessa área. E o IGE veio exatamente para me ajudar a dar os primeiros passos rumo à minha nova vida.

Durante essa viagem de um mês a Massachusetts e Connecticut, eu tive a oportunidade não somente de conhecer pessoas maravilhosas, mas de conhecer um lado novo do Rotary. Tive a chance de conhecer os maravilhosos programas que o Rotary implementa globalmente, como a campanha contra a pólio, os diversos programas de alfabetização e a maravilhosa capacidade de mobilização dos rotarianos. E foi na Conferência Distrital do IGE que tive a oportunidade de conhecer a Bolsa Pró-Paz, através de uma inspiradora apresentação de uma bolsista pró-paz falando de sua experiência em água e saneamento básico.

Do dia de meu retorno da viagem do IGE ao prazo final para apresentar a candidatura, eu tive exatamente um mês para preparar toda a documentação, que não é pouca, traduzir todos os documentos, prestar o exame do TOEFL, buscar recomendações, estudar para o GRE. E o espírito rotário se fez presente em cada passo deste processo. Do momento de meu regresso ao dia das entrevistas, tive a sorte de encontrar várias pessoas – ou melhor, anjos – em meu caminho.

O amigo Ronaldo Carneiro, quem lutou bravamente por mim e convenceu seu clube a apoiar minha candidatura mesmo tendo sido tão em cima. O amigo Chico Schlabitz, que me apoiou mesmo quando as coisas pareciam não ir pra frente. Entre tantos outros. E então, no mês do meu aniversário, em outubro de 2006, recebo a tão sonhada chamada de Evanston com a maravilhosa notícia de ter sido selecionada para estudar na prestigiosa Duke University.

Ghandi dizia: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. E esta frase, para mim, encapsula o espírito da Bolsa Pró-Paz do Rotary. Por dois anos, tive a chance de aprender com professores e mestres brilhantes em Duke e pude conviver com algumas das mentes mais afiadas selecionadas pelo Rotary, moldando-me para ser a mudança no mundo. E a grande vantagem do meu curso em Duke era seu pragmatismo. Nossos professores eram profissionais com décadas de experiência em desenvolvimento internacional e suas aulas, sempre muito práticas e enfocadas em problemas reais e de escopo global.

Durante minha pós-graduação, fui exposto a um mundo totalmente novo – um mundo de análise estruturada de conflitos e perspectiva acadêmica sobre os impulsionadores dos diferentes temas globais afligindo nossa sociedade moderna. E mesmo que minha posição atual, como Diretora de Política para América Latina e Caribe para o Centro Internacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (ICMEC), não lide diretamente com conflitos, as ferramentas e conhecimentos que aprendi nesses dois anos mudaram minha perspectiva profissional. Além das diversas ferramentas acadêmicas, contatos e conhecimento, o espírito de solidariedade, empatia e colaboração foram os grandes exemplos que me guiam até hoje em minha jornada rumo a um mundo mais justo e seguro.

Mais do que as bolsas, o Rotary todo ano promove centenas de projetos e promove múltiplos espaços de interação e troca de experiências, capacitando centenas de pessoas brilhantes dispostas a colaborar com os clubes em prol de um mundo melhor. Tive a grande sorte de poder participar em dois Simpósios Pró-Paz: em maio de 2012, em Bangkok, onde tive a chance única de uma conversa particular com Mohammad Yunus, o economista de Bangladesh que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2006 com sua inovadora ideia de criar o primeiro banco do mundo especializado em microcrédito, o Grameen Bank. Sua história e genialidade só são superáveis por sua simplicidade, e conhecê-lo de tão perto foi uma honra incrível.

Em 2015, em São Paulo, ocasião em que fui selecionada para representar os Peace Fellows em um discurso inaugural com o ganhador do Prêmio Nobel, Oscar Árias. Uma honra ímpar, sem dúvidas. Enfim, estes eventos foram para mim mais que um momento de reencontros. Foi uma aula de desprendimento e a bondade que existe no coração de cada rotariano e uma renovação do meu compromisso de continuar na luta por um mundo melhor. Hoje, mais do que nunca, como mãe de uma linda garotinha de 4 anos, tenho vontade de ver um mundo melhor e mais justo. É uma honra poder dizer que faço parte dessa grande família rotária. E é revigorante poder ter a certeza de que somos muitos e somos fortes, e que, se trabalharmos juntos, a paz é sim possível, não importam os obstáculos.

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