Presidente Knaack fala sobre diversidade

Presidente do Rotary de 2020-21, Holger Knaack, na porta da sua residência em Ratzeburg, Alemanha.

Por Dave King

Diversidade faz parte dos valores do Rotary

“É claro que não sabemos o que a nova década trará, mas seja o que for, devemos estar sempre conscientes da nossa responsabilidade. No Rotary, defendemos valores de igualdade, tolerância e paz. Atualmente, a tolerância é assunto relevante em muitas partes do mundo. O Rotary não é político e deve continuar assim, porém, quando as coisas não vão bem, não podemos ignorá-las e devemos nos manifestar. Defendemos os nossos valores e a Prova Quádrupla, já que somos julgados não só pelos nossos resultados, mas também pela nossa atitude.” Holger Knaack, 24 de janeiro de 2020.

No início do ano, quando o presidente eleito do Rotary, Holger Knaack, se dirigiu aos participantes da Assembleia Internacional em San Diego, nos Estados Unidos, poucos poderiam ter imaginado que essas palavras eram proféticas e se materializariam três meses mais tarde.

Em 25 de maio, o afro-americano George Floyd, de 46 anos, morreria em Minneapolis, no estado do Minnesota, durante uma intervenção policial por supostamente ter passado uma nota falsa. A morte dele desencadeou protestos mundo afora, caracterizando um momento em que as nações começaram a fazer um exame de consciência.

No início do seu discurso em San Diego, Holger, o primeiro alemão eleito ao cargo mais elevado do Rotary, voltou 100 anos no tempo reconhecendo os problemas que acabariam engolindo o seu próprio país.

“Aprendemos muito sobre outras culturas nesta Assembleia e enfatizamos a necessidade de sermos mais tolerantes”, disse ele ao público presente no salão de plenárias.

“Atravessamos o limiar de uma nova década, que há 100 anos viria a ficar conhecida como ‘os loucos anos 20’. As memórias que temos dessa época são influenciadas pelas fotos e filmes que temos visto. Contudo, foi nos anos 20 também que as pessoas se afastaram cada vez mais umas das outras e a catástrofe veio como consequência.”

Em agosto, refletindo alguns dias depois do tiroteio no estado de Wisconsin por ocasião dos protestos do movimento Vidas Negras Importam, Holger admitiu estar alarmado com o que estava vendo e lendo.

“Estamos agora nos perguntando como isso pode estar acontecendo? Injustiça e racismo simplesmente não podem ser aceitos, seja por parte da polícia ou dos manifestantes. Estou realmente chocado com as notícias que chegam dos Estados Unidos.”

Mas, enquanto o mundo olhava para si mesmo, Holger insistia que as ações do movimento Vidas Negras Importam nos Estados Unidos eram essencialmente diferentes do que acontecia em outras partes do globo.

“Não é em todos lugares que encontramos racismo, mas certamente encontramos discriminação em todos os lugares. Temos que mergulhar na nossa história para encontrar a origem da discriminação e combatê-la, seja qual for a forma que ela assumir”, sugere ele, destacando como a discriminação assume formas diferentes dependendo do país e da cultura.

“Não interessa se é na Índia ou Japão, Reino Unido ou Alemanha, ou qualquer outro lugar; a forma de discriminação irá sempre diferir, pois isso depende da história da região e de quando e como o preconceito teve início. Cada país deve examinar sua própria história para distinguir a discriminação existente.”

Holger nasceu em 1952, quando a Alemanha ainda estava se recuperando dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Sob a pressão dos nazistas, os Rotary Clubs do país foram fechados em outubro de 1937 e, contra sua vontade, tiveram que devolver seus diplomas de admissão ao Rotary International.

Alguns clubes continuaram se reunindo em sigilo durante a guerra. Entretanto, foi somente em 1948 que a administração política permitiu o retorno do Rotary à Alemanha Ocidental.

Refletindo sobre questões de racismo e discriminação, Holger admitiu: “Cada país tem que resolver seus próprios problemas, e o meu tem exemplos terríveis para contar”.

“A década mais sombria da Alemanha começou em meados dos anos 30, antes da guerra, quando as coisas começaram a tomar corpo e a maioria dos Rotary Clubs fazia parte do sistema, e quanto a isso não restam dúvidas. Um grupo de historiadores escreveu um livro recentemente descrevendo o que aconteceu e como os Rotary Clubs discriminaram seus associados judeus, algo que me envergonha. Eu não acho que a história deva ser apagada; temos que aprender com ela. Todas as cartas devem ser postas à mesa para aprendermos com o passado e traçarmos o futuro.”

Na sequência da morte do George Floyd, o Rotary International publicou a sua declaração de diversidade, equidade e inclusão, iniciada dois anos antes.

Pouco tempo depois, o Conselho Diretor do Rotary International decidiu que precisava tomar algumas medidas adicionais. Foi então formada uma força-tarefa com especialistas do mundo todo para examinar assuntos envolvendo diversidade, equidade e inclusão, e para encontrar uma abordagem internacional no sentido de lidar com questões do tipo.

Almejando proporcionar ações significativas que tragam mudanças mensuráveis e duradouras ao universo rotário, a força-tarefa identificará formas de combater preconceitos e injustiças em todo o mundo para os nossos clubes, distritos, comissões, programas e dentro dos nossos escritórios corporativos.

“Essa força-tarefa é um recurso para sabermos identificar melhor aqueles que não foram bem recebidos ou tratados devidamente pelos nossos associados, funcionários ou durante a participação em nossos programas.”

Holger acrescenta: “Este não é um problema isolado dos Estados Unidos, não é apenas a questão de que Vidas Negras Importam, mas é, sim, a importância em adotarmos novas abordagens em termos de diversidade, equidade e inclusão. Estamos em busca de direções para fazermos a coisa certa, já que nunca é tarde demais para corrigir os erros. Gostaria muito de mostrar aos Rotary Clubs uma forma viável que funcione no seu país e cultura”.

O relatório da força-tarefa deve ser concluído até o próximo mês de julho, tratando como os clubes podem ficar ainda melhores nesses assuntos.

““Não vejo a diversidade como uma lista de desejos para um Rotary Club, ela é um dos nossos valores”, acrescentou Holger.

Holger está ciente de como algumas pessoas no Rotary podem achar essa discussão desconfortável, citando a questão como política. “Sempre que não queremos abrir uma discussão, dizemos que isso é sobre política”, rebateu.

“O melhor exemplo é a nova e sétima área de enfoque do Rotary, o meio ambiente. Há muitas pessoas dizendo que não deveríamos falar sobre mudanças climáticas porque é algo político”.

“Na minha visão, isso é definitivamente algo não político. É um fato e é por isso que é importante. Se as coisas estão obviamente erradas, então, nós temos que falar isso”.

3 respostas em “Presidente Knaack fala sobre diversidade

  1. Já se fazia tarde manifestarmo-nos mais duramente sobre diversidade, em especial sobre preconceitos sejam eles quais forem e sem dúvida muito deles ou quase todos oriundos sem duvida das diferentes culturas enraizadas no planeta por seus passados de guerras disseminadas com objetivo de impor seu poder e costumes aos demais. E tudo isto diretamente ou com aval POLÍTICO dos diferentes sistemas políticos de plantão. Portanto sempre a política e os políticos devem ser contestados quanto as valores e princípios que não sejam benéficos a todos, como afirma nossa prova quadrupla, um dos mais importantes valores de ROTARY. Portanto devemos ter em mente sempre, e cada vez mais adotarmos a diversidade em nosso meio, e deixarmos sempre um legado de que é possível JUNTOS sermos capazes com muita TOLERÂNCIA, AMIZADE E AÇÃO conduzirmos nossos esforços ao BEM COMUM, deixando o mundo um pouco melhor todos os dias. Vamos portanto, pensar, dizer e agir neste sentido mostrando e discutindo com nossas comunidades que tanto carecem dessas informações para serem ajudadas a nos ajudar em busca diária da Paz e Compreensão Mundial. Parabéns presidente pela sua visão de mundo. Abraços.

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